domingo, 10 de novembro de 2019

TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA: O QUE É E PARA QUE SERVE?

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Hoje quero falar de um assunto muito importante: o transplante de medula óssea. Aposto que você já ouviu falar sobre isso muitas vezes, seja em campanhas chamando doadores, seja em alguma história de alguém doente que precisou deste tipo de transplante. Mas se eu perguntar para você o que é isso, você saberia responder? Se não, por gentileza, preste atenção a seguir, estas são informações úteis e você poderá depois sair por aí explicando para todo mundo.

Antes, de mais nada, quero esclarecer o que é a medula óssea. Talvez você já saiba, mas não custa relembrar: os ossos são ocos e preenchidos por um tecido líquido-gelatinoso (aquela parte que é chamada por muitos de tutano) onde são produzidos os componentes do nosso sangue. Isso mesmo, é na medula que são produzidas as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. As hemácias transportam o oxigênio e o gás carbônico no nosso sangue, os leucócitos fazem parte do nosso sistema de defesa e as plaquetas compõem o sistema de coagulação sanguínea. Já deu para perceber o quão importante ela é, não? Imagina, então, se temos problemas para produzir o que é tão essencial!

Algumas pessoas são acometidas de doenças que afetam a medula ou a produção de algum destes componentes e um tratamento indicado é o transplante de medula óssea, ou seja, a substituição da medula doente ou deficitária por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituir a partir de uma medula saudável. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente, ou alogênico, quando vem de um doador. O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue de um doador ou do sangue de cordão umbilical. Há ainda a doação silogênica, que é feita de um irmão gêmeo gerado na mesma placenta.

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Exemplos de doenças que têm o transplante de medula óssea como indicação de tratamento: anemia aplástica grave (deficiência na produção das células do sangue), mielodisplasias e em alguns tipos de leucemias (tipo de câncer que compromete os leucócitos), como a leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica, leucemia linfoide aguda. No mieloma múltiplo e linfomas, o transplante também pode ser indicado.

No caso da doação autogênica (ou autóloga), as células progenitoras da medula do paciente são coletadas antes do paciente passar por tratamentos de quimioterapia. Essa coleta é criopreservada (preservada sob baixíssima temperatura no momento oportuno do tratamento, ele recebe tais células. Trata-se de uma técnica possível e de baixa mortalidade (comparada à doação alogênica), mas tem alto índice de recidiva (a doença volta a se manifestar) nos casos de neoplasias hematológicas e tumores sólidos.

No caso da doação alogênica, precisando do transplante, o primeiro passo é descobrir quem pode doar. De acordo com as leis genéticas, irmãos de mesmo pai e da mesma mãe têm 25% de chances de ser um doador compatível. Quando não há parente compatível, existe um Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o REDOME, um banco de dados que pode indicar se há alguém compatível com o paciente em alguma parte do Brasil. Além deste, existem bancos do exterior também. E você deve estar se perguntando: o que seria uma pessoa compatível? Antes de realizar qualquer transplante, testes de histocompatibilidade precisam ser realizados e neles é determinado que um conjunto de genes que está localizado no cromossomo 6 é igual comparando-se o paciente e o doador. Só assim, é possível fazer o transplante.

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Então, fica a pergunta: o que esse cromossomo 6 tem de tão especial? Ele possui, em seu braço curto, genes que determinam como é o sistema HLA (Human Leukocyte Antigen – Antígeno Leucocitário Humano), nome dado ao complexo principal de histocompatibilidade dos humanos. Este complexo (também encontrado na maioria dos vertebrados) tem um importante papel no sistema imune, na autoimunidade (quando o sistema imune combate células e tecidos do próprio organismo) e no sucesso reprodutivo. Mas especificamente para o assunto que falamos aqui, são esses genes que produzem proteínas encontradas nas membranas das células e que têm o papel de combater e apresentar corpos estranhos (os antígenos) aos leucócitos (linfócitos T). Este complexo, resultante de muitas pressões evolutivas, possui um nível de poligenia e polimorfia surpreendente e, por isso, são muitas as variações. Sua expressão gênica é codominante e, na maioria dos casos, vemos pessoas heterozigotas para a combinação de genes. Por isso, até um irmão (exceto o irmão gêmeo univitelino) tem apenas 25% de chances de ser compatível. Por conta dessa complexidade gênica, cada conjunto de proteínas presente nas células de um indivíduo é único.

Se um paciente receber a medula de um doador que possui genes incompatíveis que, consequentemente, produzirão células com um conjunto de proteínas muito diferente, o corpo do paciente seguramente terá rejeição a essa medula, entendendo-o como um corpo estranho, e o transplante irá falhar, gerando problemas ao paciente. Por isso, são tão importantes os testes de histocompatibilidade.

Através de punções nos ossos da bacia do doador, até 15% da medula dele é aspirada. Em dias, o corpo do doador recupera toda a medula doada. O paciente a recebe como uma transfusão de sangue. A nova medula é rica em células progenitoras e chegam até a medula através da corrente sanguínea e lá se alojam e se desenvolvem. Logo após o transplante e enquanto as células novas ainda não foram produzidas o paciente precisa ficar em ambiente hospitalar para evitar infecções e toda a evolução é acompanhada mesmo depois de sair do hospital.

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Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), hoje já existem mais de 21 milhões de doadores em todo mundo e, no Brasil, o REDOME tem mais de 3 milhões de doadores. Você pode se voluntariar. Para isso, basta buscar o hemocentro mais próximo de sua casa. Lá você dará suas informações para o cadastro, fará a coleta de uma pequena amostra de sangue para que sejam feitos os testes que ficarão no banco e pronto. Caso algum paciente precise da sua medula você será consultado para decidir sobre a doação. O transplante é realizado num ambiente cirúrgico, de maneira segura, com anestesia geral, e requer internação de 24h.

Bem, agora você já sabe tudo: o que é um transplante de medula óssea, sua importância e como é possível fazê-lo. Saia espalhando por aí! Além de conhecer mais sobre a biologia humana você estará propagando informação útil e necessária para tantas pessoas que necessitam de um transplante como este.

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sábado, 26 de outubro de 2019

QUAIS OS EFEITOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL NO SISTEMA NERVOSO?

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Férias de verão, praia, churrasquinho na piscina, happy hour com os amigos... Nesta época do ano não faltam pretextos para tomar uma com os amigos... Mas você já parou para pensar nas consequências imediatas e crônicas do consumo de bebidas alcoólicas?

Os principais efeitos do consumo de álcool são resultantes de alterações no sistema nervoso, especialmente no cérebro. O álcool é classificado como uma droga sedativa, e atua como um depressivo do sistema nervoso central quando consumido em altas doses. Dentre os efeitos mais conhecidos e facilmente observáveis, podemos citar as mudanças emocionais e comportamentais e uma redução na concentração, percepção e memória. A nível morfológico, um alto consumo de bebidas alcoólicas pode resultar em atrofia das células nervosas e redução dos tecidos cerebrais.

Bioquimicamente, porém, os efeitos do álcool são muito mais complexos, envolvendo alterações na liberação e na inibição de diversos neurotransmissores. Imediatamente após o consumo de bebidas alcoólicas, a dopamina tem sua produção aumentada, gerando efeitos prazerosos através das vias de recompensas. A liberação de noradrenalina e de opioides também contribui para os efeitos animadores do álcool. Outros neurotransmissores, porém, contribuem para os efeitos depressivos que acometem alguns indivíduos após a bebedeira, dentre eles o GABA (ácido gama-aminobutírico), responsável pelos efeitos de sedação e amnésia, e o glutamato, que bloqueia receptores excitatórios. Por fim, a liberação de serotonina é responsável pelos efeitos pós-bebedeira, especialmente os enjoos.
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O consumo esporádico de bebidas alcoólicas resulta em efeitos imediatos e de curto prazo. O consumo crônico, porém, pode resultar em danos irremediáveis ao sistema nervoso e aos tecidos cerebrais, especialmente a região do cerebelo, responsável pela coordenação. Danos nesta região cerebral podem resultar em instabilidade e dificuldade em caminhar. Mas o álcool também pode resultar em danos aos nervos periféricos, resultando em dores, fraqueza, tontura e redução do tato. Em alguns casos mais raros, o álcool pode resultar ainda em danos a centros específicos do cérebro, levando a perda de funções mentais e ao desenvolvimento de distúrbios do sono e epilepsia.

O desenvolvimento de técnicas bioquímicas e moleculares tem facilitado a descoberta de novas vias nervosas afetadas pelo consumo de álcool, confirmando a hipótese de que as funções cerebrais dependem de um balanço delicado entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios, sendo estes alterados a curto e longo prazo pelo consumo de bebidas alcoólicas. Compreender os efeitos do álcool sobre as vias bioquímicas do sistema nervoso pode contribuir para o desenvolvimento de uma futura cura para o alcoolismo crônico. Enquanto isso, a conscientização sobre o consumo saudável destas bebidas ainda parece ser a melhor solução para este problema.

Fontes: Alcohol Advisory Counciol of New Zealand e Journal of
Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CIENTISTAS DESCOBREM UMA NOVA FUNÇÃO PARA O CEREBELO

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O cerebelo – que significa cérebro pequeno – é uma pequena estrutura encontrada na parte traseira do cérebro. Mas tamanho não é documento e o cerebelo é a prova disso. Embora seu vizinho maior – o cérebro – receba a maior parte das atenções, o cerebelo também possui funções importantes.

Para se ter uma ideia, apesar de representar apenas cerca de 10% do volume total do encéfalo, ele contém mais de 80% de seus neurônios, que o permite exercer um importante papel na coordenação dos movimentos e do equilíbrio. Sem o cerebelo, você provavelmente não conseguiria colocar as suas mãos nos olhos, por exemplo.

Mas cientistas de Stanford acabam de descobrir uma nova função para esta região: ela também desempenha um importante papel na resposta de recompensa, que é um dos principais impulsos que motivam o comportamento humano. A novidade foi publicada na revista científica Nature.

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Resposta de recompensa? Mas o que é isso, Josiel Bezerra? Para que você consiga entender, temos um exemplo fácil. Ao comer um chocolate, por exemplo, sinais são enviados para o nosso cérebro, ativando circuitos neurais responsáveis por sensações de prazer, as vias de recompensa – por isso comer chocolate é tão bom!

Voltando à pesquisa, um dos fatos mais interessantes sobre a nova descoberta é que ela acabou acontecendo sem querer. Os cientistas estavam analisando, em tempo real, a atividade de um grupo de neurônios do cerebelo (as células granulares do cerebelo) de camundongos através de uma técnica de fluorescência que faz com que as células sejam iluminadas quando ativas. A ideia era descobrir como o cerebelo controla os músculos em camundongos.

Para que os camundongos se movimentassem, os cientistas ofereceram água com açúcar como recompensa para que eles pressionassem uma alavanca. Como esperado, os neurônios do cerebelo foram iluminados quando os camundongos executaram o movimento de puxar a alavanca. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi que quando os animais estavam esperando pela água com açúcar e quando a recompensa foi retirada, os neurônios também foram iluminados – o que demonstra que algo estava acontecendo lá! Se as células estavam ativas isso significa que elas respondem à recompensa!

Até o momento os experimentos só foram realizados em camundongos e, obviamente, precisam ser replicados em humanos. De qualquer forma isso ressalta a complexidade do nosso organismo, especialmente do nosso sistema nervoso, nos mostrando que ainda há muito a ser descoberto!

Fonte: Nature.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

VÍCIO EM SMARTPHONES PROVOCA ALTERAÇÕES CEREBRAIS

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Pesquisadores da Coreia do Sul descobriram que jovens viciados em smartphones e internet possuem um desequilíbrio nas atividades cerebrais, relacionado à depressão e ansiedade.

Não é nenhuma novidade que as pessoas, principalmente os jovens, estão cada vez mais viciadas e fechadas em seus smartphones com as redes sociais, informações, jogos e até mesmo, quem sabe, ligações. Uma pesquisa recente revelou que 46% dos jovens americanos são viciados em suas tecnologias portáteis. Preocupados com o tempo que os jovens estão passando na frente da tela do celular, pesquisadores da Universidade da Coreia, na Coreia do Sul, realizaram um estudo com jovens viciados em smartphones e internet, e descobriram que eles apresentam um desequilíbrio nas funções do cérebro.

A pesquisa foi realizada com jovens com idade média de 15 anos, do sexo feminino e masculino, diagnosticados como dependentes em internet e smartphones. Para que comparações fossem estabelecidas, um grupo controle também foi avaliado, com 19 jovens saudáveis e sem vícios, com a mesma faixa etária e gêneros. Os jovens receberam um tipo de terapia cognitiva para viciados em jogos, por 9 semanas, além de responderem questionários a respeito de seus hábitos. Para essa medição, os pesquisadores utilizaram exames de espectroscopia por ressonância magnética. Ao final do exame, quanto maior a pontuação, mais grave seria o vício.

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No exame, realizado antes e após a terapia, foram medidos os níveis de um neurotransmissor que inibe ou retarda os sinais cerebrais, tornando os neurônios eletricamente mais excitados, o ácido gama-aminobutírico ou GABA. Outros estudos já haviam demonstrado que o GABA está envolvido no controle motor e na regulação de diferentes funções cerebrais, incluindo a ansiedade.

O resultado mostrou que os jovens viciados apresentaram pontuações significativamente maiores de GABA, do que os jovens saudáveis. Altos índices de GABA fazem com que a pessoa esteja mais propensa à depressão, ansiedade, insônia e impulsividade. Mais estudos são necessários para entender e comprovar a importância clínica do que foi descoberto, mas os pesquisadores acreditam que o aumento do GABA possa ajudar na compreensão e no tratamento de diversos tipos de dependências.

Fonte: Radiological Society of North America.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

RISCOS E BENEFÍCIOS DOS ENERGÉTICOS

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A comercialização de bebidas energéticas tem aumentado na última década e a sua fácil acessibilidade a crianças e adolescentes têm contribuído para uma tendência crescente no seu consumo. Dados recentes sugerem que o consumo de bebidas energéticas tende a aumentar, mais do que o dobro em crianças dos 2 aos 11 anos.

Energético é uma bebida que estimula o metabolismo e tem como finalidade fornecer energia, diminuindo sintomas como o sono e o cansaço. Esse tipo de bebida apresenta em sua composição substâncias capazes de atingirem nosso córtex cerebral, inibindo a ação da adenosina, um neurotransmissor que induz ao sono. A bebida é largamente consumida por atletas em rotina de competição com o intuito de melhorar o rendimento esportivo. As bebidas energéticas, ricas em substâncias como cafeína e taurina, devem ser consumidas com moderação, pois podem sobrecarregar o coração.

As bebidas energéticas são publicitadas como benéficas ao desempenho físico e intelectual, estado de alerta e humor, não alertando para os possíveis efeitos não desejados associados à sua ingestão excessiva ou continuada. Os possíveis riscos associados ao seu consumo e, principalmente, em grupos de maior suscetibilidade e em crescimento, como as crianças e adolescentes, tende a suscitar interesse na comunidade científica, e pode representar uma ameaça significativa para a saúde pública devido ao marketing agressivo dirigido aos jovens combinado com a falta de regulamentação destas bebidas.

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A maioria não dá bola para o que o rótulo avisa: energéticos não devem ser tomados junto com bebidas alcoólicas. Criados para serem consumidos puros antes de atividades físicas, eles acabaram fugindo do objetivo inicial e caíram no gosto dos baladeiros como companhia para whisky e vodca.

Existem no mercado muitas marcas de energéticos, cada qual diferindo em sua composição. A base da formulação consiste na presença de taurina, cafeína e açúcar. A cafeína é um estimulante que age no sistema nervoso central, inibindo o sono e, consequentemente deixando o indivíduo em estado de alerta. Já a taurina, é um aminoácido sintetizado, principalmente, no fígado e cérebro, que ajuda na regulação dos níveis de água e sais minerais do sangue, além de atenuar a fadiga muscular.

A composição é uma espécie de bomba enlatada. Um dos ingredientes, a cafeína, pode aparecer com até 35 mg a cada 100 ml. E o que acontece no corpo? Os efeitos estão relacionados com a quantidade, claro: doses de até 2 mg por quilo corporal provocam estado de vigília, diminuição da sonolência, alívio da fadiga e aumento da respiração, da frequência cardíaca, da produção de urina e do metabolismo. Já altas dosagens, como de 15 mg por quilo, podem gerar nervosismo, insônia, tremores e desidratação.

A ingestão média diária de taurina entre os consumidores de bebidas energéticas é de aproximadamente 0,4 gramas, aumentando para cerca de 1,0 grama entre altos consumidores. A concentração de taurina contida nos energéticos é mais alta que a quantidade encontrada em outros produtos.

Além disso, sem querer estragar mais o treino ou a balada de ninguém, mas já estragando, o risco de sobrecarga do coração existe. Estudos relatam que a combinação de taurina e cafeína de que são feitas essas bebidas causa aumento do trabalho cardíaco. Por isso, cuidado: o consumo aliado a uma grande quantidade de atividade física pode levar a isquemia do miocárdio, por aumentar as contrações do músculo.

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As bebidas desportivas são muitas vezes alvo de confusão com as bebidas energéticas e como tal devem ser distinguidas. As primeiras são não gaseificadas, contêm hidratos de carbono, minerais, eletrólitos, importantes para a manutenção do balanço hidroeletrolítico, e algumas vitaminas. Estas são produzidas com o intuito de repor perdas durante o exercício físico, mas são desnecessárias num indivíduo com atividade física casual e dieta equilibrada, não sendo recomendada a sua utilização em crianças. As segundas são denominadas como energéticas, pois contêm estimulantes, tais como a cafeína, guaraná, taurina, ginseng, carnitina, glucoronolactona, possuindo diferentes quantidades de hidratos de carbono, proteínas, aminoácidos, vitaminas e outros minerais.

C6H8O6 – Glucoronolactona

Esse metabólito formado no fígado a partir da glicose está na receita de algumas marcas. Alguns estudos apontam que melhora a memória, é antidepressivo e estimulante.

C2H7No3S – Taurina

Um dos aminoácidos mais abundantes no corpo humano. Apesar de ser encontrada em vários alimentos, geralmente a taurina usada em energéticos é sintetizada quimicamente.

C8H10N4O2 – Cafeína

Alcaloide capaz de estimular o sistema nervoso central, o que causa estado de alerta de curta duração. A sensação de revigoramento é gerada pela ação do neurotransmissor adenosina.

RISCOS À SAÚDE

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Um estudo ecocardiográfico demonstrou um aumento na força de contração do músculo cardíaco uma hora após a ingestão de bebida energética contendo taurina e cafeína em sua composição, sugerindo um efeito positivo exercido por esses compostos, atribuído especialmente à ação da taurina, fato preocupante em relação ao desencadeamento de arritmias.

Ainda com base na ecocardiografia, foi demonstrado um aumento no risco de acidente vascular cerebral após o consumo de energéticos contendo cafeína e taurina em comparação com os controles que receberam as variantes do mesmo energético contendo apenas cafeína ou nem cafeína nem taurina, respectivamente. Além disso, foi demonstrado que adicionar taurina à cafeína não aumentou ou reduziu significativamente o efeito da cafeína.

PESSOAS SAUDÁVEIS DEVEM INGERIR COM MODERAÇÃO

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Estudos adicionais ainda devem ser realizados para abordar os efeitos a longo prazo da taurina, principalmente em indivíduos que já apresentem doença cardiovascular. Assim sendo, adultos com problemas cardíacos devem evitar o consumo de bebidas energéticas. Já indivíduos saudáveis precisam ficar atentos em relação à quantidade ingerida, por conta da sobrecarga cardíaca induzida por esse tipo de bebida.

Fonte: Revista Galileu; Revista Veja; Han E, Powell LM. Consumption patterns of sugar-sweetened beverages in the United States. J Acad Nutr Diet.

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

VACINAÇÃO, SAÚDE PÚBLICA E LIBERDADE DE ESCOLHA

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Os recentes casos de sarampo, no norte do Brasil, doença que já havia sido controlada nas Américas desde 2016, deixou em alerta todo o país. Também em junho de 2018, o Ministério da Saúde informou que há o risco de retorno da poliomielite em algumas cidades em que a cobertura vacinal está bastante abaixo da média. Por conta de certo descaso com a vacinação, diversas doenças que já estavam controladas estão voltando e causando problemas de saúde pública.

A imunização através da vacinação é a principal ferramenta de prevenção e controle de doenças. Mas… Como funcionam as vacinas e por que deixar de tomá-las pode provocar o retorno das doenças? Este texto contém as informações que você precisa para contextualizar corretamente este assunto, se ele aparecer na prova do vestibular/ENEM em 2019. Essa é uma de minhas apostas, então, detona!

COMO SURGIRAM AS VACINAS?

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Para entender como surgiram as vacinas, vamos fazer uma viagem do século XXI ao século XVIII, quando Edward Jenner descobriu a vacina antivariólica. A varíola era uma doença infectocontagiosa que se tem registro desde 430 a.C., quando matou cerca de ⅓ da população na Grécia. Durante muitos séculos o vírus dela circulou pelo mundo e a doença se espalhou.

Foi em 1796, que Edward Jenner fez a primeira descoberta de vacina que se tem registro. O pesquisador observou que ao inserir uma secreção de alguém com a doença, em outra pessoa saudável, esta pessoa desenvolvia sintomas brandos da doença e tornava-se imune a ela, em vez de adoecer gravemente. Os experimentos e descobertas foram possíveis a partir de uma outra doença, a cowpox (um tipo de varíola que atingia vacas), quando Jenner descobriu que as pessoas que ordenhavam as vacas estavam imunes à varíola humana.

A partir daí começou a criação de novas vacinas. A palavra vem do latim, que significa “da vaca”, por conta dos experimentos de Jenner. Através da vacinação contra a varíola, a doença foi dada como erradicada desde 1980 pela Organização Mundial da Saúde. O último caso registrado foi em 1977, em um homem no Sudão. Desde então as vacinas tornaram-se instrumentos essenciais para prevenir e controlar doenças em todo o mundo.

COMO FUNCIONAM AS VACINAS?

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As vacinas atuam estimulando o organismo a produzir sua própria proteção (anticorpos, por exemplo), sem que seja necessário ficar doente antes. Quando um indivíduo é vacinado, ele recebe “uma imitação da doença” mais branda. Isso faz com que o sistema imunológico produza uma defesa específica para combater o vírus/ bactéria em questão. No momento em que esta pequena infecção é eliminada, as células de defesa já terão criado uma “memória” da doença, fazendo com que ela nunca mais se desenvolva (se todas as doses forem tomadas no período correto).

A maioria das vacinas é produzida a partir de fragmentos de microrganismos, ou com microrganismos atenuados ou inativados. De acordo com a sua forma de produção, elas podem ser classificadas em:

Vacina atenuada: feita a partir de uma versão enfraquecida do vírus, que não causa doenças em pessoas com o sistema imunológico saudável. Por conter uma versão enfraquecida do vírus vivo, causa uma infecção natural, provocando uma resposta eficiente do nosso sistema de defesa. Exemplos: caxumba, sarampo, rubéola.

Vacina inativa: produzida através de microrganismos mortos (inteiros ou fragmentos). Por serem mais seguras, desencadeiam uma resposta imunológica mais fraca (mas não menos eficiente). Por conta disso, mais de 1 dose é necessária para que a defesa seja prolongada. Exemplo: raiva, pólio, influenza.

Vacina com toxoide: desenvolvida a partir de toxinas modificadas de bactérias. São capazes de prevenir doenças que não são causadas por bactérias, mas por toxinas que elas produzem dentro do corpo. Exemplos: difteria e tétano.

Vacina conjugada: combatem doenças causadas por bactérias encapsuladas. Exemplo: pneumocócica 23.

A IMPORTÂNCIA DO CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO

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Com o objetivo de diminuir a incidência, ou mesmo erradicar, algumas doenças, desde 1973 existe um calendário de vacinação no Brasil. O calendário contém quais vacinas devem ser tomadas, o número de doses necessário, a idade e o período que devem ser recebidas, em busca de uma proteção efetiva.

As vacinas inativadas, geralmente, precisam de mais de uma dose para que uma resposta imunológica seja potencializada. Outras vacinas, como a do tétano, desencadeia uma proteção logo na primeira dose, que vai desaparecendo com o tempo. Por isso um reforço é necessário, fazendo com que os níveis de imunidade subam novamente.

Já as vacinas contra a gripe não se enquadram em nenhum dos casos. Elas devem ser tomadas anualmente, já que o vírus da gripe muda rapidamente e varia bastante ao longo do tempo. Sua produção acontece a partir das variações do vírus que circulam em cada ano.

Muita gente acha que a caderneta e o calendário de vacinação devem ser descartados depois que crescemos, mas isso está errado! Cada vez que um jovem, adulto ou idoso abandona a vacinação assim que entra em uma dessas fases, temos um declínio violento na cobertura vacinal de adultos.

A BAIXA COBERTURA VACINAL

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O maior desafio para erradicar a doença é a dificuldade em imunizar todos os cidadãos, ou boa parte dele. Para que não haja novos surtos de doenças, pelo menos 95% da população precisa estar vacinada. No Brasil, desde 2013, a cobertura vacinal para doenças como: caxumba, sarampo e rubéola vêm caindo a cada ano. Ainda que as vacinas sejam disponibilizadas gratuitamente pelo SUS, bater as metas vacinais tem sido cada vez mais difícil.

Os surtos de febre amarela, nos dois últimos anos (2016/2017 e 2017/2018) nos mostraram como somos vulneráveis a alguns tipos de doenças e seus vetores, como o conhecido Aedes. Não estamos nos vacinando e não sabemos se nossa carteira de vacinação está em dia, e isso é grave para todo o país, não apenas para quem deixar de se imunizar.

Mesmo depois do vínculo entre a vacinação e o autismo ter sido desmentido, ainda existem pessoas com medo (ou descrença) nas vacinas. Para “ajudar”, todos os dias, novas Fake News são veiculadas e compartilhadas nas mídias, fazendo com que mais pessoas se apropriem de um conhecimento incerto e na maioria das vezes errado.

POR QUE AS DOENÇAS ESTÃO VOLTANDO?

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O recente surto de sarampo na região norte do Brasil, colocou as autoridades de saúde em alerta. Apesar do sarampo ter sido erradicado nas Américas em 2016, mais de 463 casos foram registrados somente no Brasil em 2018. E o sarampo não veio sozinho… Um caso de poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, foi registrado no início de junho/2018 na Venezuela, país vizinho do Brasil. Não há registros de casos de polio no Brasil desde 1989, mas a baixa cobertura vacinal e o caso da Venezuela, nos mostram que o vírus ainda está em circulação, e que estamos vulneráveis ao retorno dessa (e de outras, por que não?) doença.

A paralisia infantil, destrói os neurônios do sistema nervoso, provocando paralisia total ou parcial, principalmente no grupo mais vulnerável à doença: as crianças. A popularização da campanha de vacinação contra a doença ficou popular na década de 80 por conta do personagem Zé Gotinha. Lembra dele? O personagem tinha por objetivo deixar a vacinação mais atraente às crianças, além de conscientizar sobre a importância em se imunizar contra a doença. O personagem também participou de campanhas para a prevenção do sarampo, por exemplo.

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford indicou que uma queda de 5% na cobertura vacinal em crianças com idade entre 2 e 11 anos, poderia triplicar os casos anuais de sarampo somente nesta faixa etária. Por mais que exista uma pequena parcela da população que não pode ser vacinada (principalmente quem possui o sistema imunológico comprometido), as demais devem procurar a imunização, evitando de se tornar vetor da doença.

DE QUEM É A CULPA?

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Não podemos ser hipócritas generalizando que a baixa cobertura vacinal seja por conta de movimentos antivacinas, medo ou de pais descuidados com a saúde do seu filho. O desabastecimento de vacinas essenciais nos postos de saúde e a falta de recursos municipais para a gestão de programas de vacinação, são problemas gravíssimos que influenciam (e muito) na disseminação das doenças infectocontagiosas.

Municípios com baixa cobertura vacinal devem se reorganizar, criando estratégias que busquem uma maior adesão da vacinação pela população. Os postos de saúde ficam abertos somente em horário comercial e de 2ª a 6ª feira. A adequação do serviço de saúde, estendendo os horários de atendimento durante a semana, ou com plantões que contemplem sábados e domingos, seria uma boa alternativa para quem não consegue comparecer a uma unidade de saúde durante a semana. É possível ainda ir além, com programas de vacinação de casa em casa, que alcancem também pessoas que, por algum motivo, não têm autonomia para ir até um posto de saúde.

Além disso, as campanhas de divulgação de vacinação devem ser ampliadas, principalmente mostrando a importância da vacinação e a segurança desse importante instrumento de imunização.

LIBERDADE DE ESCOLHA

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Até onde vai a liberdade de escolha dos pais, em decidirem pela vacinação do filho? Devem ser considerados criminosos? Pagar multas? A verdade é que, pelo menos no Brasil, a vacina gratuita deixou de ser um direito e passou a ser uma obrigação. Por exemplo, na Austrália, em 2016, foi lançada uma campanha que vacinou milhares de crianças pela primeira vez, tudo porque pais que se recusassem a imunizar os seus bebês seriam taxados com uma multa de até US$ 15.000 por ano! A introdução desta política fez com que a cobertura nacional atingisse 93% das crianças, de 1 a 5 anos.

Cabe relembrar que no Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente deixa claro que vacinar é uma questão de obrigação “é obrigatória à vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias” (art. 14). Se levarmos em consideração à bioética, o ato de vacinar deixa de ser uma decisão pessoal e pode ser considerado um ato de responsabilidade coletiva, já que compromete todo o bem-estar de uma população.

Deixar de se imunizar por motivo de uma doença está sumida, ou não é registrada há muitos anos, é contribuir com um possível retorno dela. Os agentes infecciosos de doenças continuam circulando em diversas partes do mundo e conseguem facilmente atravessar fronteiras geográficas. Programas de vacinação bem sucedidos dependem da cooperação de todos! As vacinas não protegem somente quem as recebe, e atualmente são os únicos instrumentos capazes de controlar a disseminação e a erradicação de doenças de forma efetiva.

Fontes: Fiocruz (I) e (II), Ministério da Saúde, JAMA.

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domingo, 15 de setembro de 2019

O CRISTÃO E A POLÍTICA

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Em algum momento, de conversas casuais, observam-se pronunciamentos sobre a impossibilidade de um seguidor de Cristo ser capaz de ocupar quaisquer vagas, no cenário político brasileiro, no que diz respeito aos cargos de: vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador, senador, Presidente da República e assim por diante. Diante disso, alega-se que política e religião não podem ocupar o mesmo ambiente, tornando-se inviável a possível interação em um mesmo nicho ecológico. Isso mostra a grande problemática a ser resolvida no âmbito educacional da democracia de um determinado país aberto as liberdades das pessoas.

Na ecologia da vida e diante de quaisquer informações que venham ao nosso conhecimento é sempre bom discernir tudo que ouvimos utilizando-se do duvidar (não aceitar de pronto as coisas), do criticar (analisar o que está sendo falado) e do determinar (recebo tudo ou não recebo nada; recebo parte ou rejeito parte).

Existe um equívoco quando se mencionam que a política é do diabo. Desta forma, fica claro que se a “política é do diabo a autoridade também é”. Entretanto, as escrituras sagradas afirmam que as autoridades são constituídas por Deus. Simplificando, a palavra política, vem do grego, significa a arte de governar para o bem-estar social!

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É importante evidenciar termos como “O Estado é laico”! Isso significa que o Governo não tem religião por apresentar-se de todos. Façamos uma pergunta: a política é laica? NÃO! Porque ela representa as convicções dos cidadãos. Pois os cidadãos têm crenças e valores. O Estado é laico, mas não laicista, ou seja, não é contra a religião. O Governo não tem religião, mas o povo tem! Portanto, a política é a manifestação das crenças e valores do povo. Fortalecendo essa afirmação, um dos maiores filósofos, do nosso tempo, bastante conceituado, Michael Sandel, da Universidade de Harvard, disse: “É muito bem-vindo ao debate político as questões religiosas, porque fazem parte das convicções do ser humano”.

Em uma sociedade livre as pessoas podem pautar as suas convicções políticas em qualquer ideologia, seja ela, religiosa ou não. A liberdade é uma das coisas mais espetaculares do Estado Democrático de Direto, por mais esdrúxulo que seja a manifestação do pensamento. Se estamos em uma sociedade livre para todos pensarem a mesma coisa que um grupo social quer, isso não é Estado Democrático de Direito. É ditadura da opinião, a famosa ditadura do falso consenso.

O artigo 5° da Constituição Federativa do Brasil diz: “todos são iguais perante a lei”. Você pode ser religioso, o outro, pode ser médico, engenheiro, ativista político. Todos tem o direito de expressar suas convicções. Ainda no artigo 5° inciso VIII diz: “ninguém será privado de direito por crença religiosa ou por convicções filosóficas ou políticas”.

Para os cristãos o cristianismo não é uma religião. É o reino de Deus para ser implantado na Terra. É um estilo de vida! Porém, para a sociedade o cristianismo é uma religião.

Há um jogo que diz: religião e política não se misturam! Há controvérsias nessa tese. Religião e política não se misturam quando alguma religião quer impor aos outros de seguir sua crença e impedir a manifestação da crença dos outros. Isso sim não pode se misturar. Pois cada um é livre para acreditar no que quiser.

É importante salientar a contribuição do cristianismo e da reforma protestante para o Mundo e, principalmente, o Ocidente:

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I. O cristianismo é a principal tradição do mundo ocidental e o mais importante fator na formação da Europa e das Américas;

II. A influência cristã permeia todos os aspectos da vida desses continentes;

III. Vem do cristianismo a proteção à vida, direitos humanos, valorização da criança, mulher, idoso, casamento e a vida em família;

IV. As maiores universidades do mundo foram criadas por cristãos: Paris, Bolonha, Oxford, Harvard, Yale, Princeton;

V. Foi a reforma protestante que marcou a passagem do Mundo Medieval para o Moderno;

VI. A escola pública veio da reforma protestante;

VII. Foi a reforma protestante que deu acesso aos homens de classes mais baixas a conquistar riquezas e posições;

VIII. Foi a reforma protestante que deixou a concepção de que a ignorância é o grande mal para a verdadeira religião;

Segunda a Bíblia, Deus não elimina a vida política das pessoas. Ele no Antigo e Novo Testamento trata o ser humano como um ser: biológico, psicológico, sociológico e espiritual. Por exemplo, o povo de Israel no deserto, Deus mandava maná e brotava água da rocha (mundo biológico). Deus mandou o povo, no deserto, fazer três festas (mundo psicológico). Deus dividiu o povo em tribos, em hierarquia, em príncipes (mundo sociológico – a política está aqui). A presença de Deus durante o dia, numa nuvem, e a noite uma coluna de fogo e a Shekinah de Deus que se manifestava no monte (mundo espiritual).

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No Novo Testamento em Mateus 6: 25-33 Jesus trata o homem como um ser biológico, psicológico, sociológico e espiritual. “Não andeis ansiosos” (ansiedade – mundo psicológico). “No que há de comer” (alimento – mundo biológico). “E quanto aos vestidos” (vestimenta – mundo sociológico). “Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça” (mundo espiritual).

Portanto, perante a igualdade diante da Constituição Brasileira, temos o direito de ir e vir. Sendo que as convicções não podem ser motivos de paralisação de projetos para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável. A maldade e a injustiça, em boa parte das comunidades, às vezes imperam por consequência da timidez de quem pode fazer o bem comum e não o faz. Parafraseando, Miguel de Cervantes de Saavedra, célebre escritor espanhol, o sonho que se sonha só é apenas um sonho, porém o sonho que se sonha em conjunto é realidade!

God bless you!
See you later. Take care!


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